As grandes linhas da psicologia da criança
Confie na criança! Confie nesse ser novo, vibrante, ainda intacto das grandes decepções do mundo. Ela traz em si um impulso natural para a verdade, para a beleza e para o bem. Carrega uma força de crescimento, uma sede de aprender e amar que, mesmo quando parece adormecida, nunca está completamente morta. A criança ainda não foi esmagada pelo cansaço, nem endurecida pelo egoísmo, nem anestesiada pelos falsos brilhos do mundo. Sua alma é fresca, sensível, capaz de maravilhar-se com o que é simples, e de responder com generosidade ao que é verdadeiro.
Mas não confie apenas nas crianças puras e intactas. Confie também nos corações que já sofreram, que foram marcados por erros, fracassos e desilusões. Confie nos que se julgam fracos, nos tímidos e nos que se escondem atrás de uma aparente indiferença. Crer neles não é negar as feridas que trazem, mas acreditar na graça que pode curá-las. O ambiente de confiança, de alegria e esperança é como o sol para as flores: dá vida, desperta, reanima. Muitas almas, tidas por medíocres ou perdidas, apenas esperam uma mão que as erga e um olhar que as compreenda.
Educar é crer no invisível, esperar o que ainda não floresceu. É como guardar um botão de rosa: ele parece pequeno e fechado, mas contém toda a promessa da flor. É preciso paciência, confiança e tempo. A criança muitas vezes não mostra logo seus dons; mas se ela encontra quem a incentive, quem lhe ofereça oportunidades de agir e de crescer, ela desperta. Por isso, a educação é, antes de tudo, um ato de fé: fé em Deus, que planta dons; fé na criança, que pode florescer; fé no tempo, que amadurece tudo.
Porém, essa confiança precisa ser recíproca. O educador, para ser escutado, deve primeiro merecer ser amado e respeitado. Nada convence mais uma criança do que a autenticidade. Ela percebe rapidamente a falsidade e a incoerência. Por isso, educar exige sacrifício, vigilância sobre si mesmo, desejo sincero de santidade. A criança só aceitará ser conduzida por quem caminha à frente com retidão e coragem. Ela precisa de pegadas seguras para seguir.
Educar, portanto, é subir. É elevar-se para poder elevar. A cada dia, é preciso que o educador lute contra sua própria impaciência, sua dureza, sua indiferença, para ser, na medida do possível, imagem viva daquilo que ensina. Assim, a criança se sentirá segura para colocar seus pés nas mesmas pegadas e desejar, um dia, ir ainda mais longe.
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