Era ainda mister a intervenção de um Deus para converter e santificar a humanidade, para levar os frutos do sacrifício divino a todos os filhos da Redenção, na perpetuidade do tempo e na universalidade do espaço. O Calvário não poderia permanecer isolado na história como um gesto sublime, porém estéril; a Cruz precisava prolongar seus braços através dos séculos, alcançando todos os homens de todos os tempos. Ao mundo, que já havia sido resgatado e ainda o ignorava; ao palácio dos Césares, inflamado de orgulho e poder; aos filósofos de Atenas e de Roma, sedentos de sabedoria mas incapazes de encontrar a Verdade plena; às multidões imersas na ignorância, no vício e na corrupção, cumpria anunciar a Boa Nova. Boa Nova que ilumina as inteligências obscurecidas, purifica os corações endurecidos e reconduz a humanidade ao seio do Deus vivo.
Do gênero humano disperso e dividido, sempre instável em suas incertezas, sequioso de novidades curiosas e de liberdades sem freio, era necessário formar um povo santo, uma nação de eleitos, vinculada pelos laços da mesma fé, da mesma esperança e de uma só moral. Eis o complemento espontâneo e indispensável da missão redentora de Cristo: não apenas redimir, mas ensinar; não apenas salvar, mas incorporar numa única família espiritual todos os que creem.
Árdua e sobremaneira sobre-humana empresa! E mais árdua ainda se considerarmos que essa regeneração espiritual, essa transmissão viva da doutrina, dos sacramentos e das leis do Evangelho deveria perpetuar-se através das gerações. Era preciso conservar intacto o depósito da fé, fazê-lo florescer sem jamais corrompê-lo; mantê-lo puro no meio das tempestades dos séculos, imutável no meio das mutações dos povos e das instituições humanas.
A todos os povos sucessivamente dispostos no curso da história, a todas as civilizações que se erguem e desmoronam, disseminadas one pelos continentes do globo — tão diversas por índole, costumes, educação, cultura e instituições — deveria chegar a doutrina salvadora do Evangelho. Intacta, imutável e incorrupta, ela deveria sobreviver a todas as migrações, resistir a todas as revoluções, atravessar impérios e ruínas, guerras e tratados, constituições e tiranias. Única firme e indestrutível no meio da torrente das coisas humanas que tudo arrasta e consome nos vórtices de sua incessante mutabilidade, a Igreja aparecia como a depositária dessa missão.
Foi para sustentar e renovar essa obra divina que nasceram, por inspiração do Espírito Santo, os exercícios espirituais: escolas de silêncio, recolhimento e combate interior, onde a alma, separando-se do tumulto do mundo, aprende de novo a ouvir a voz de Deus. Neles o cristão contempla as verdades eternas, examina sua consciência à luz da Cruz, fortalece a vontade, purifica a inteligência e renova o ardor da caridade. Assim como Cristo se retirava ao deserto para orar, também a Igreja convida seus filhos a retirarem-se espiritualmente do mundo por alguns dias, para que, fortalecidos interiormente, regressem melhor dispostos a servir a Deus e transformar a sociedade.
Sem esta contínua formação interior, sem essa disciplina do espírito e do coração, seria impossível perpetuar no mundo a obra do Redentor. Porque é no silêncio da alma tocada pela graça que nascem os santos, e são os santos — mais do que os exércitos, os tronos ou as academias — que verdadeiramente edificam a história da salvação.
O Empório Nossa Senhora do Bom Sucesso dedica-se à difusão da fé católica por meio de livros religiosos e artigos devocionais. Cada obra e cada artigo são escolhidos com esmero para fortalecer a vida espiritual, conservar a doutrina e promover o amor a Deus e à Sua Igreja.